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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dia 25 - Encanto infantil

Habari, rafiki wangu!

Fisicamente, tenho que dizer que nao estou na minha melhor condicao. Desde ondem tenho sentindo muita dor de cabeca, mas nao e’ igual ‘a dor da enxaqueca. Parece mais com uma gripe. Alem disso, tenho sentido dor no estomago e ontem tive febre ‘a noite. Hoje acordei ainda com dores, e estava disposta a passar a manha na cama. Mas ai’ venho um convite, e decidi nao recusar.

Hebrom, um dos missionarios daqui, me chamou para participar com ele de um trabalho voluntario que ele desenvolve semanalmente. Topei ir mesmo sem saber pra onde era. So’ depois descobri que se tratava de um orfanato! Foi ai’ que fiquei ainda mais animada e esqueci as dores!

Por volta do meio dia chegamos ao orfanato Springs of Hope. Ao entrarmos, Hebrom perguntou se eu gostava de bebes, e eu respondi que adorava, claro. Tirei os sapatos, entrei no salao e comecei a trabalhar. A responsavel pelas criancas me entregou uma mamadeira, um babador e pediu que eu escolhesse um bebe para alimentar. Peguei o primeiro da fila, uma menininha linda, que devia ter uns 8 meses. 
 

Terminei de dar a mamadeira a ela e disse que estava pronta pra mais trabalho. A responsavel, entao, perguntou se eu sabia trocar fraldas. Disse que sim, e lembrei dos 2 meses que passei com minha sobrinha Sofia, assim que ela nasceu. Mas a realidade ali era bem diferente. Pra comecar, as fraldas eram de pano, e eu nunca as tinha usado. Alem disso, nao havia trocador, nem lencos umedecidos, nem pomadinhas e talquinhos cheirosos.



O trabalho era simplesmente tirar a fralda suja e colocar outra. Toquei o tecido e vi o quanto era grosso e parecia desconfortavel para as criancas. Me senti mal por elas, principalmente quando percebi que muitas estavam com a pele um pouco ferida. Troquei tres criancas, e, como a ultima nao parava de chorar, a segurei no meu colo por um tempo, esperando que ela dormisse.


Enquanto cuidava das criancas, comecei a pensar que muitas pessoas que conheco e foram adotadas hoje tem uma vida maravilhosa, com tudo do que precisam. Fiquei triste ao pensar que muitas familias quenianas nao tem dinheiro sequer pra criar os filhos que geram, muito menos adotar outros! Meu coracao doeu de pensar que a maioria daquelas criancas vai crescer sem saber o que e’ um pai ou uma mae, o que e’ viver numa familia.

Sai do orfanato com vontade de chorar, orando pra que Deus mude o destino das criancas que conheci. Na maioria dos casos, eles crescem em extrema pobreza, tornam-se adultos, geram filhos, e, como nao podem cria-los, tambem os entregam para adocao. E’ um ciclo vicioso, uma realidade dificil que se repete. E o pior: no Quenia, os orfanatos sao privados. Nao ha’ nenhum incentivo ou beneficio da parte do governo. Fiquei admirada com o amor que move as pessoas a investirem o que tem na tentativa de dar a criancas abandonadas um futuro melhor.

Jesus nos disse que ninguem que nao for como crianca entrara’ no Reino dos Ceus. Hoje, ao receber olhares cheios de pureza e ver aquelas maozinhas segurando firme meus dedos, consegui entender melhor por que. Assim como as criancas se entregam completamente, dependendo de nosso cuidado e carinho, tambem devemos nos colocar diante de Deus com coracoes puros e prontos a receber a protecao que Ele tem pra nos dar.

A verdade, e’ que, mesmo quando crescemos, ainda assim precisamos do nosso Pai celestial. Ainda que nossa familia falhe, ou que vivamos uma realidade diferente do que desejamos, Deus nao deixa ninguem orfao. Seu desejo e’ estender seu cuidado a todos quantos, de coracao sincero, o recebem como Senhor de suas vidas.




"Em verdade vos digo que, se nao vos converterdes e nao vos fizerdes como criancas,
de modo algum entrareis no Reino dos Ceus."

Mateus 18:3

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Dia 21 - 2/3 completos

Habari, gente! Como estao? Mais uma vez, obrigada pelo carinho, pelos comentarios, por se alegrarem comigo no que tenho vivido aqui.

Hoje foi mais um dia de fazer cartoes e trabalhar na cozinha. Nesses dias penso muito em mamae e papai. Fazer cartoes e' a cara da minha mae - a pessoa mais criativa que conheco! E cozinhar e' a cara do meu pai - o melhor cozinheiro do mundo!

Alem dos trabalhos, os dias tem sido cada vez mais divertidos. Aqui na base tem uma mesa de pingue-pongue, e depois do almoco ou do jantar nao dispensamos uma partida, principalmente Mulenga e eu. Ontem nos duas jogamos uma partida de 100, e raramente os meninos conseguem ganhar da gente!

Se existe neste mundo alguem que "morre de vespera", essa pessoa sou eu. Confesso que pensar que me restam poucos dias aqui me faz muito (muito!) triste. Aqui no Quenia encontrei uma identidicacao profunda com o lugar, as pessoas, a comunidade e a missao em si. O dia de partir vai ser realmente dificil, e tenho tentado nao pensar nisso.

Desde semana passada, tenho refletido muito em Lucas 14 : 26 e 27, que diz assim:
Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.

Pensar em deixar para tras a familia, os amigos, os lugares dos quais gostamos, e' dificil, mas o desprendimento e' um pre-requisito necessario a todo aquele que resolve seguir a Deus. Sei que, em alguns momentos, as decisoes de partir seraos dolorosas, mas tambem tenho aprendido que a obra missionaria e' extremamente dinamica, por isso requer que quem se envolve esteja disposto a ir e vir muitas vezes.

Notem que o texto fala em aborrecer pessoas e ate' mesmo a propria vida! Isso significa estar disposto a abrir mao de sonhos e vontades pessoais, a fim de alcancar um proposito maior. Tenho muitos planos que adoraria realizar, mas nada me move mais do que o desejo de estar na obra missionaria. E o que ha' em mim vai alem da vontade de participar. E' a certeza de que estou no caminho certo. Minha unica recompensa e' saber que estou cumprindo aquilo para que o Senhor me chamou, e essa certeza me satisfaz plenamente.

No meu dia a dia, conciliando dois trabalhos e faculdade, e' dificil manter o foco. O mundo oferece muitas distracoes, e oportunidades que fazem nossos olhos brilharem. Em meio a tudo isso, continuar firme no proposito de seguir em missoes e' um verdadeiro desafio. Por isso esse tempo de dedicar minhas ferias pra missoes e' tao importante, e me ajuda a caminhar nos trilhos certos...

Ah, e para quem tem acompanhado a historia, noticias de Mulenga: Desde semana passada ela esta' esperando o novo passaporte chegar, para dar entrada no visto. A embaixada tem enrolado muito, e hoje ligaram dizendo que, se ela quer receber o documento ate' a proxima semana, tem que pagar outra quantia. Todo esse atraso a tem deixado apreensiva e insegura. Orem pra que Deus continue realizando a obra que completou, e abra o caminho para Mulenga de acordo com a vontade dEle! Assim que tiver mais noticias, compartilho com voces.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dia 19 - Apaixonada

Habari!

Hoje e’ o dia da mulher mais linda a especial do mundo… Minha mae! Parabens, Mamma! Sei que nao precisamos estar perto pra estarmos juntas, mas adoraria poder te abracar no seu dia... Obrigada por todas as coisas maravilhosas que tenho aprendido com a senhora. Pelo exemplo em tudo, na casa do Senhor e dentro da nossa casa. Tenho orgulho da mae que tenho: linda, inteligentissima, sabia, cuidadosa, criativa... Te amo demais!

Agora vamos ao relato de hoje, ne?

Bem, quando a gente faz uma viagem assim, nunca sabe o que vai encontrar pela frente. Algumas coisas acabam nos surpreendendo e vindo de maneira inesperada, sem estarmos preparados. E o que tenho pra dizer hoje e’ que eu estou apaixonada. Quero dizer, completamente apaixonada! Quando o vejo, nao consigo me segurar. Tenho que correr pra ficar ao seu lado, mesmo que seja sem dizer nada. E quando estamos juntos, tudo fica muito melhor e mais divertido.

Ele e’ Queniano, e nao fala muito bem ingles. Mas quem disse que as palavras sao sempre necessarias? Estou aprendendo que mesmo sem elas se pode ter um bom relacionamento! ‘As vezes precisamos nos comunicar so’ por sinais, e tudo acaba ficando muito mais divertido. Sinceramente, perto dele o tempo voa!

O alvo de todo esse amor e carinho se chama Johnny. A ma’ noticia e’ que vou ter que me contentar em estar junto dele so’ por aqui. Nao acho que ele poderia sair do pais agora, ate’ porque a minha fofura so’ tem tres aninhos! Olhem como ele e’ lindo:


Pois e’... Johnny e eu temos passado muitas tardes juntos. Ele me escolheu como sua baba’, e fico toda feliz quando o vejo correndo pro meu colo. Ate’ na hora das refeicoes ele faz questao que eu esteja junto. A unica palavra que Johnny sabe em ingles e’ “Yeah”. Entao, nao importa o que eu fale, ele sempre responde assim. Mesmo que ele esteja fazendo alguma coisa errada e eu tente dizer pra ele parar, ele simplesmente diz “Yeah” e continua.

Ao mesmo tempo, eu nao sei praticamente nada de suaili. Hoje, quando estava dando comida pra ele no jantar, ele comecou a ficar inquieto e querer sair da cadeira. Eu nao estava entendendo nada, mas imaginei que ele estivesse cheio. Tentei de todas as formas dizer que ele precisava terminar de jantar, mas ouvi um “Yeah” e ele continuou querendo sair. Na ultima tentativa, pedi ao meu amigo Wario, da Etiopia, pra traduzir o que ele estava dizendo. Ai’ sim entendi que ele estava querendo agua! Tadinho... se dependesse de mim ia ficar com sede pra sempre!

Fico triste de pensar que, quando acabarem meus dias aqui, nao sei se verei Johnny alguma outra vez. Nem sei ele ele vai lembrar de mim... Mas, ainda assim, ficarei feliz toda vez que eu pensar nessa pulguinha que me fez cair de amores!

Fico por aqui... Beijos e ate’ amanha!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dia 18 - Um dia de cozinha

Oi, gente!

Hoje o dia foi realmente intenso... Eu estava escalada para trabalhar na cozinha – e isso significa fazer cafe’, almoco e janta. Aqui na base tomamos cafe’ da manha ‘as 7h, por isso tive que acordar ‘as 6h pra preparar tudo. E, quando todo mundo acabou, eu limpei a cozinha, lavei a louca e organizei o refeitorio.

Geralmente temos um intervalo ate’ 8h30, mas pra mim acabou nao dando tempo de descansar. ‘As 9h chegou Mamma Joseph, a cozinheira da base. Imaginei que comecar a fazer o almoco ‘aquela hora seria muito cedo, mas nao disse nada quando Mamma Joseph me mandou comecar a cortar os vegetais.

Foi uma manha muito divertida! Ela fala muito pouco ingles, so’ o basico mesmo. E, como ela sabe que eu fico tentando aprender suaili, ela so’ falava comigo nesse idioma. Aproveitamos o contexto, e tive uma bela licao de suaili. Ja’ sei falar pimentao, tomate, alho, cenoura, arroz... Mamma Joseph e' uma fofa!

Aos 10 anos, quando comecei a estudar ingles, nao imaginei que eu um dia estaria andando pelo mundo, conhecendo e me comunicando com gente dos quatro cantos do planeta. Hoje vejo que, ate’ nisso, Deus estava me preparando. Como muitos sabem, sou professora de ingles em um curso particular, e vejo muitos dos meus alunos indo praticamente arrastados para a sala de aula. Alguns passam o tempo todo calados, se recusam a responder as perguntas, nao querem participar. Mas pra mim, estudar ingles nunca foi um fardo – e olha que eu passei 7 anos no curso!

Cada vez mais acredito que precisamos encarar todos os passos da nossa vida como uma preparacao para algo maior que Deus ja’ separou para nos... E, assim como o ingles e’ uma excelente ferramenta, creio que os outros idiomas aos quais tenho me dedicado, meu curso universitario e as experiencias que tenho vivido em missoes, entre outras coisas, vao me dar aquilo que eu preciso pra fazer o trabalho que Deus colocar em minhas maos.

Bem, de volta ‘a cozinha... Em meio aos risos com Mamma Joseph, fiz novamente aquela salada maluca que eu inventei e – inexplicavelmente – todo mundo gostou. Tive meia hora de intervalo depois do almoco, e comecamos a fazer Chapatis para a janta. Nada menos que 142 Chapatis! Voces nem imaginam o trabalhao que isso e’...

No final da tarde, alem das atividades da cozinha, estava tomando conta de um garotinho de 3 anos, chamado John. Terminei tudo por volta das 18h. Foi cansativo demais dar conta de uma crianca cheia de energia e preparar um jantar ao mesmo tempo, e quando terminei de comer eu estava completamente exausta e cheirando a fumaca. Ossos do oficio...

Gente, sinceramente, eu to muito feliz aqui. E hoje bateu um aperto ao pensar que so’ faltam 2 semanas pra eu voltar pro Brasil. Espero ainda aprender muito, e compartilhar com voces tambem.

Obrigada por continuarem visitando o blog e comentando. Mesmo no final do dia, cansada, quando eu penso nos meus fieis leitores bate logo a vontade de escrever! Mas por hoje e’ so’... Ate’ amanha!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Dia 13 - O desafio de estudar

Oi, gente! Como voces estao?

Tive um dia muito diferente do convencional... Acompanhei Mamma Phillip (a mesma da batata frita) a uma escola primaria para entregar alguns materiais como cadernos, livros, lapis, etc. A base tem um programa de tutoria de criancas, ajudando suas familias a comprar material escolar e uniforme, bem como dar suporte pra que aquelas criancas continuem na escola.

Ontem, no periodo de oracao, o lider da base pediu para que orassemos por uma certa regiao aqui no Quenia. Meninas de 12 e 13 anos estao sendo “vendidas” para casamento. Seus pais as trocam por gado porque consideram que, a essa idade, ja’ sao adultas. Em comunidades assim, o estudo e’ considerando uma perda de dinheiro e tempo. Qualquer situacao e’ motivo pra tirar uma crianca da escola. Por isso e’ preciso investir para reverter esse quadro de abandono dos estudos.

Fui com o proposito de conhecer o projeto, chamado Child Sponsorship, e tambem pegar umas imagens para o video que quero fazer da base. Quando sai do carro e entre na escola com a camera, fui cercada de uma multidao de criancas. Pareciam formiguinhas. Eu precisava pedir licensa pra andar. Todos ficavam disputando ou pra aparecer nas imagens ou para assistir a gravacao da minha perspectiva. Foi muito interessante mesmo!


 
Dezenas de materiais foram entregues. E’ claro que isso nao vai tirar ninguem da pobreza, mas e’ um estimulo de valor incalculavel. Muitas das criancas daquela escola estavam com seus uniformes completamente rasgados. Outras nao tinham sequer sapatos ou sandalias. Estudar numa realidade assim e’ um desafio, e ver a forca de vontade daquelas criancas me fez lembrar, com tristeza, muita gente que eu conheco e que encara os estudos como algo secundario (quando muito)!



Aqui no Quenia nao existe educacao gratuita. Tudo e’ pago, mesmo as escolas que pertencem ao governo. Os professores sao autorizados a baterem nas criancas ate’ mesmo com varas caso elas respondam incorretamente – e a maioria dos pais concorda com esse metodo. Quando terminam o ensino fundamental, fazem uma prova nacional e e’ o governo quem diz onde podem estudar, de acordo com seu rendimento. Universidade e’ para pouquissimos e custa muito caro.

Realmente, faz sentido que uma familia que nao tem o que comer considere comprar alimentos mais importante do que deixar os filhos na escola. Essa realidade faz da miseria um ciclo vicioso. Filhos nao conseguem superar as realizacoes dos seus pais, nao conseguem subir na vida e mudar a propria realidade.

Orem pela educacao no Quenia, para que se encontre um sistema mais justo e condizente com a realidade das pessoas. E se voce estuda, ore tambem agradecendo a Deus por essa oportunidade... E, a partir de amanha, tente comecar a mudar sua perspectiva e valorizar mais a possibilidade de estudar.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dia 11 - Escolhendo a melhor parte

Habari, Brasil! Como estao voces estao?

Hoje terminei de ler o livro de Josue’. Quantas licoes! Passei o dia refletindo sobre o que esta’ no ‘ultimo capitulo, versiculo 5, quando Josue’ diz que, independente das escolhas do povo, ele e sua casa serviriam ao Senhor. ‘As vezes tendemos a ir com a manada, cair no pensamento de que “a voz do povo e’ a voz de Deus”. E’ dificil escolher remar contra a mare’ e correr o risco de ser apontado pelos outros por ser diferente.

Mas quando nossa conviccao e’ firme sobre quem Deus e’ e o que Ele espera de nos, o caminho parece clarear e, mesmo que o resto do mundo esteja olhando para outros objetivos, conseguimos manter o foco na missao. Sinceramente, amo meu curso na universidade e fico feliz de poder trabalhar em coisas das quais gosto. Mas ainda que tudo isso seja maravilhoso e gratificante, nao e’ o que me faz plenamente realizada. Sou completamente feliz quando estou em missoes.

Nao sei o que meus amigos vao escolher, ou o que vao pensar da minha escolha. Mas eu ja’ decidi que quero ocupar o lugar que Deus reservou pra mim, seja Ele onde for. E e’ muito bom poder ver isso nao como um fardo, mas como uma honra!

Bom, de manha, adivinhem o que fiz... Cartoes, novamente! E ‘a tarde ajudei na cozinha. Gosto muito de deixar a criatividade solta fazendo cartoes, mas a verdade e’ que fico muito sozinha nessa atividade. Na cozinha sempre tem bastante conversa, entao e’ muito mais legal!

Aqui nao temos fogao nem gas. E’ tudo na base da lenha. E as panelas ficam presas em buracos no chao, e alcancam mais ou menos a altura do joelho. Hoje o pessoal comeu um guizado meio Brasil, meio Zambia, ja’ que Mulenga e eu cozinhamos juntas... Ate’ que ficou bom!




E por hoje e’ so’. Tenho aprendido muitas palavras e expressoes em Kiswahili. Acho essa lingua simplesmente linda, e o pessoal da base tem tido bastante paciencia em me ensinar. Entao, ja’ que e’ hora de dormir, “Lala salama” pra mim!

Tuta onana kesho! (Ate’ amanha)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dia 10 - Multiplicando dons

Nem acredito que ja' estou na minha segunda semana aqui! Vai ser dificil deixar este lugar...

Sempre que podemos, eu e Mulenga passamos um tempinho cantando e tocando. 'As vezes so' eu toco, outras ela toca violao eu teclado. Ontem, depois de passarmos um bom tempo em adoracao, ela me chamou pra participar do grupo de louvor da base. Aceitei na hora! E como segunda-feira e' dia de culto aqui, hoje foi a minha "estreia".

Sinceramente, acho que minha habilidade no violao e' muito limitada, e em qualquer outra situacao eu ate' teria vergonha de tocar. Na minha igreja, por exemplo, nunca toco, porque gracas a Deus tem gente la' que realmente nasceu pra isso! Mas aqui, o pouco que eu tinha pra dar significou muito.

Pras pessoas da base, foi um incremento nos canticos, e recebi muitas palavras de encorajamento. Mas pra mim, acho que significou mais ainda, por poder aprender que nossos dons se engrandecem quando usados no lugar certo e na hora certa. As poucas notas que eu sei tocar podem nao ser nada pra mim, mas aprendi hoje que o talento se multiplica quando encontra a necessidade.

Ja estou ansiosa pelo proximo culto, pela oportunidade de participar e contribuir. Sei que sem mim as coisas continuariam acontecendo, e que, ainda que nao houvesse nenhum instrumento, Deus seria louvado do mesmo jeito. Mas oferecer a Ele o pouco que eu tenho me faz ter certeza de que o trabalho nao e' vao. Nao sao notas ao vento. Existe um Deus me ouvindo atentamente, e alegre pelo culto prestado a Ele, ainda que na simplicidade.

Ainda nao tive oportunidade de trabalhar diretamente com a comunidade, mas no final do culto o lider da base disse que as saidas de Evangelismo devem comecar nessa sexta-feira. Estou orando pra que de certo! Orem tambem...

Bom, o momento de adoracao terminou 'as 10h, e passei o resto da manha lavando (MUITA!) louca. Mas o ambiente aqui e' tao bom que, conversando com um e com outro, o tempo passa rapidinho!

No final da tarde fomos jogar pingue-pongue. Em determinada hora, olhei ao meu redor e fiquei cheia de empolgacao quando percebi que meus 4 parceiros de jogo eram de 4 paises diferentes. Foi uma boa mistura de Brasil, Quenia, Ruanda, Zambia e Etiopia! Deus sabe que eu sempre sonhei com isso... Estar com pessoas do mundo todo!

Alem dessas nacionalidades, temos aqui muitos canadenses, uma suica, outros brasileiros e um missionario de Zimbabue. Nao tem como nao crescer estando em um ambiente assim, aprendendo um pouco com um e com outro.

Bom, ja' esta' ficando tarde... Vou dormir e descansar os bracos, porque amanha e' dia de muito trabalho na cozinha: fazer Chapatis!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dia 8 - Malhando o biceps

Chegou meu primeiro fim de semana na base! Acordei 'as 9h sabendo que eu tinha uma dura missao pela frente: lavar roupa sem tanque e sem maquina de lavar. Eu adiei o maximo que pude, mas esse trabalho nao podia esperar nem mais um dia.

Acho que, por aqui, 'as pessoas tem a impressao que eu sou meio fraquinha, entao estao sempre oferecendo ajuda, me lembrando de ir pra sombra e tomar 'agua. E hoje nao foi diferente. Recebi varias manifestacoes de "solidariedade" em relacao 'a essa nova experiencia.Vez em quando passava alguem me elogiando, dizendo que eu estava indo bem, ou perguntando se eu queria ajuda.

Apesar de toda a mobilizacao, resolvi que faria sozinha. Separei tres baldes: um para lavar com sabao e outros dois para enxague. Sentei no chao sem pudor e em 2 horas fiz a melhor malhacao de toda a minha vida.

Na verdade, nem era tanta roupa assim. A Mulenga, por exemplo, lavou quase o dobro do que eu lavei em menos tempo ainda. Mas a experiencia valeu. Enquanto estava la', torrando no sol, fiquei grata pelo santo que inventou a maquina de lavar. O aniversario dele deveria ser feriado internacional!!!

Agora estou mais bronzeada, mais forte e com mais uma experiencia na bagagem. E' possivel sobreviver lavando roupa no balde! E nao so' isso... Quando a gente esta' feliz onde esta', nao existe situacao ruim. Tudo e' aprendizado e crescimento. E e' assim que tenho me sentido.

E la' vao as fotos...





Depois de passar a tarde com Mulenga em Machakos, cidadezinha a uns 40 minutos daqui, tive uma noite bem agradavel. Fui jantar na casa da Celia, a brasileira que mora aqui. Ela desenvolve um trabalho maravilhoso com criancas, e em outra oportunidade eu com certeza farei um post sobre isso... Foi bom falar portugues um pouquinho, conversar sobre coisas comuns a brasileiros e, claro, jantar com um tempero mais que especial!

Quero agradecer de coracao a quem se mobilizou para ajudar Mulenga. Estou doida pra correr pro quarto e contar que, do outro lado do oceano, tem gente sonhando junto com ela! Como dizemos por aqui em Kiswahili, "Asante, sana" - Muito obrigada mesmo!!!

Por hoje e' so'... Foi um dia muito bom, mas cansativo. Alem disso, aqui ja passa das 22h! Amanha o diario de bordo continua... Beijos!