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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Dia 32 - Do balde 'a banheira

Oi, gente! Como voces estao?

Eu ja cheguei em Joanesburgo, na Africa do Sul. Gracas a Deus o voo foi tranquilo e deu tudo certo nos aeroportos. Meu passaporte esta' ficando recheado de carimbos... A Africa do Sul e' o nono pais que estou v isitando, e estou doida pra que chegue logo amanha, pra eu sair e passear!

Passei a manha na base, acabando de fechar as malas, e dando e recebendo muitos abracos. Tambem resolvi cozinhar para Mulenga. Ela adora frango, mas la' na base e' muito raro ter. Entao, mesmo nao sendo uma cozinheira de mao cheia, resolvi dar a ela esse almoco especial. Almocamos antes do pessoal, sozinhas no nosso quarto. Conversamos, rimos e choramos muito.


Desde segunda eu estava com vontade de chorar, e achei que hoje ia acabar desabando. Mas os abracos e as palavras de carinho e encorajamento foram tantas, e vindas de tanta gente, que, a tristeza de ir embora deu lugar a  um coracao transbordante de alegria. Me sinto abencoada por tudo o que vivi, pelas pessoas que pude conhecer, pelos amigos que fiz, pela oportunidade de aprender e ensinar. Preciso dizer que boa  parte do meu coracao ficou no Quenia.

Saimos para o aeroporto por volta das 13h15. Quando chegamos, um surpresa!  Elisa, a amiga romena que conheci logo que cheguei la', foi se despedir de mim no aeroporto! Elisa e eu so estivemos juntas por tres dias, mas ela foi a primeira pessoa que me recebeu na base. Sua hospitalidade me cativou de primeira, e ficamos amigas desde entao. Me senti feliz por Elisa ter lembrado de mim e ido ate o aeroporto so pra se despedir...


No aviao, pra variar fiquei admirando as nuvens. Fico pensanso... como e' que alguem tem coragem de dizer que o mundo veio de uma explosao??? Fala serio, ve se uma explosao pode criar algo desse tipo:


Desembarquei pontualmente, e nao tive problema nenhum pra recolher minha bagagem. Quando sai', o motorista do hotel estava esperando. Pelo uniforme dele e pela placa que ele estava segurando, logo pensei "Esse hotel e' chique...". Mas, gente, minha imaginacao foi humilde demais. O negocio nao e' chique,  e' poooooodre de chique. Quando passamos pelo  portao ja fiquei impressionada com a fachada, mas dentro e' ainda mais fino!

Depois de passar pela recepcao, fui ate' o meu quarto. Vai ser ate' dificil acordar amanha depois de passar uma noite nessa cama fofinha e no ar condicionado. E adivinhem so... tem uma banheira! Uma banheiraaaaa! Hoje de manha eu tomei banho de balde, e pra mim estava muito bom. Nao imaginava nunca que terminaria o dia tomando um banho de banheira.  Em poucas horas, fui promovida ao mundo da chiqueza.



Como ja cheguei tarde, nao dava pra sair e jantar. Nao tinha outra opcao a nao ser comer no restaurante do hotel. Servi beeem pouquinho, porque nao queria pagar caro. Quando terminei de colocar o que queria, fui perguntar onde estava a balanca, e essa foi minha gafe numero um, porque nao tinha. Depois, fui tirar uma foto da mesa, esbarrei no vasinho, derramei 'agua e quebrei o talo da flor. Gafe numero dois, tres, quatro.


Como eu adoro frango ao curry, nem pensei duas vezes na hora de servir. Mas voces ja conhecem  minha sorte com comidas picantes, ne? Quando dei a primeira garfada, quase soltei fogo pelas narinas. Senti meu sangue indo todo pra cabeca! Nao sabia se ria ou se chorava. Mas, pra nao fazer feio, aguentei ate' o fim (quase morrendo, mas aguentei).


Realmente, eu nao nasci pra ser chique... Nem comida de rico da' pra mim! Mas, ja que to aqui, vou aproveitar, ne? E o melhor e' que a fortuna que eu estou pagando pra passar duas noites aqui corresponde a menos de quarenta reais! Incrivel, ne?

Amanha vou passar o dia por aqui. So' embarco para Sao Paulo na quinta-feira. E aqui vai um esclarecimento: o dinheiro gasto para vir nao tem nada a ver com o dinheiro que separei e recebi para missoes. Este e' um presente que eu e minha famili estamos me dando, sem tocar naquilo que foi designado pra obra. Em todos os aspectos da nossa vida,  honestidade e transparencia sao importantes. Mas, quando lidamos com as coisas do Senhor, ai' e' que o negocio e' serio mesmo!

Acredito plenamente que, quando somos fieis a Ele em nossas financas, Ele tambem e' fiel a nos e nos abencoa. Durante o tempo em que estive aqui. Pude bancar meu proprio sustento, ofertar nas igrejas que visitei, abencoar outras pessoas dentro e fora da base... E nada nunca me faltou! Realmente vale a pena andar na linha com Deus!

E' muito bom estar no conforto, mas confesso que deixava tudo isso pela alegria de ainda estar no Quenia... Mas se o tempo de servir la' acabou, so' me resta agradecer a Deus por essa oportunidade que transformou minha vida.

Amanha eu passo aqui pra contar como foi o passeio por Joanesburgo!

Beijos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dia 27 - Notícia chata...

Habari, gente!

Apesar de nao ter dado pra postar ontem, fiquei com muita vontade de contar pra voces como foi o dia. ‘A tarde, sem que tivessemos combinado, um amigo chamado Boniface me chamou pra ir num rancho que tem leoes, leopardos, bufalos e outros animais. Como ja’ ta perto de eu ir embora e eu nunca tinha ido la’, aceitei na hora! Subimos na moto e fomos! 


O lugar e’ simples, mas muito legal. Eles tem um leao, duas leoas, e dois filhotinhos. Depois de ve-los, fomos ate’ a jaula dos guepardos. Como o tratador os estava alimentando, ele perguntou se eu queria entrar na jaula. Entrei. Tremendo de medo, mas entrei. De fato, os guepardos estavam tao ocupados com seus pedacos de carne que nem me deram bola! 



Vimos ainda tartarugas, uma ‘aguia e coelhos. So’ os bufalos e avestruzes que resolveram nao aparecer. No caminho de volta, ainda flagramos um grupo de micos atravessando a estradinha.

Cheguei na base e era quase hora do jantar. Quando terminamos, perguntei a Mulenga se ela podia comecar a fazer trancas no meu cabelo. E’ claro que eu quero chegar no Brasil diferente de como eu vim, ne? Comecamos la’ pras 19h30.

Perto de 21h, comecei a sentir fome novamente, e resolvi comer o cachorro quente que Mulenga tinha comprado pra mim na hora do almoco. Foi ai’ que terminou a minha paz...


Paramos com as trancinhas la’ pras 22h30, e comecei a sentir muita dor de estomago. Na verdade, eu vinha sentindo dores desde segunda-feira, mas acho que o cachorro quente foi o que precisava pra meu corpo sinalizar de vez que algo nao estava bem.

A noite foi pessima. Acordei diversas vezes precisando ir ao banheiro ou vomitar. E a pobre da Mulenga sempre acordava junto... Eu nao conseguia dormir de jeito nenhum, porque, alem da dor insuportavel de estomago, minha cabeca doia muito e eu tremia de frio. Mulenga perguntou varias vezes se eu queria ir ao hospital, e eu disse que nao (minha ultima experiencia de hospital, no Brasil, foi extremamente traumatica). Mas, pela manha, ela ordenou em vez e perguntar, e seguimos para a hospital.

Depois de ser consultada e realizar exames de sangue e de fezes, a medica constatou que eu estou com ameba, e provavelmente a contrai’ por causa da qualidade da agua. Sai do consultorio com 4 remedios receitados, e ainda muita dor. Apesar do sol de rachar, passei o dia com uma blusa de manga comprida, um casaco, calca jeans e um sapato fechado com meias.

Agora ainda me sinto muito mal. No almoco, foi uma dificuldade. Tudo o que consegui comer foi uma batata. Ainda assim, tive que fazer um grande esforco pra terminar uma inteira. Conforme orientacao da medica, comprei agua em um supermercado, pra nao beber a da base.

Fiquei triste por adoecer assim na reta final. Hoje, por exemplo, passei o dia na cama. Estou tentando nao desanimar e crer que logo ficarei boa, pra aproveitar bastante o tempo que ainda me falta por aqui! 

Por favor, orem por mim. Amanha dou mais noticias!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dia 18 - Um dia de cozinha

Oi, gente!

Hoje o dia foi realmente intenso... Eu estava escalada para trabalhar na cozinha – e isso significa fazer cafe’, almoco e janta. Aqui na base tomamos cafe’ da manha ‘as 7h, por isso tive que acordar ‘as 6h pra preparar tudo. E, quando todo mundo acabou, eu limpei a cozinha, lavei a louca e organizei o refeitorio.

Geralmente temos um intervalo ate’ 8h30, mas pra mim acabou nao dando tempo de descansar. ‘As 9h chegou Mamma Joseph, a cozinheira da base. Imaginei que comecar a fazer o almoco ‘aquela hora seria muito cedo, mas nao disse nada quando Mamma Joseph me mandou comecar a cortar os vegetais.

Foi uma manha muito divertida! Ela fala muito pouco ingles, so’ o basico mesmo. E, como ela sabe que eu fico tentando aprender suaili, ela so’ falava comigo nesse idioma. Aproveitamos o contexto, e tive uma bela licao de suaili. Ja’ sei falar pimentao, tomate, alho, cenoura, arroz... Mamma Joseph e' uma fofa!

Aos 10 anos, quando comecei a estudar ingles, nao imaginei que eu um dia estaria andando pelo mundo, conhecendo e me comunicando com gente dos quatro cantos do planeta. Hoje vejo que, ate’ nisso, Deus estava me preparando. Como muitos sabem, sou professora de ingles em um curso particular, e vejo muitos dos meus alunos indo praticamente arrastados para a sala de aula. Alguns passam o tempo todo calados, se recusam a responder as perguntas, nao querem participar. Mas pra mim, estudar ingles nunca foi um fardo – e olha que eu passei 7 anos no curso!

Cada vez mais acredito que precisamos encarar todos os passos da nossa vida como uma preparacao para algo maior que Deus ja’ separou para nos... E, assim como o ingles e’ uma excelente ferramenta, creio que os outros idiomas aos quais tenho me dedicado, meu curso universitario e as experiencias que tenho vivido em missoes, entre outras coisas, vao me dar aquilo que eu preciso pra fazer o trabalho que Deus colocar em minhas maos.

Bem, de volta ‘a cozinha... Em meio aos risos com Mamma Joseph, fiz novamente aquela salada maluca que eu inventei e – inexplicavelmente – todo mundo gostou. Tive meia hora de intervalo depois do almoco, e comecamos a fazer Chapatis para a janta. Nada menos que 142 Chapatis! Voces nem imaginam o trabalhao que isso e’...

No final da tarde, alem das atividades da cozinha, estava tomando conta de um garotinho de 3 anos, chamado John. Terminei tudo por volta das 18h. Foi cansativo demais dar conta de uma crianca cheia de energia e preparar um jantar ao mesmo tempo, e quando terminei de comer eu estava completamente exausta e cheirando a fumaca. Ossos do oficio...

Gente, sinceramente, eu to muito feliz aqui. E hoje bateu um aperto ao pensar que so’ faltam 2 semanas pra eu voltar pro Brasil. Espero ainda aprender muito, e compartilhar com voces tambem.

Obrigada por continuarem visitando o blog e comentando. Mesmo no final do dia, cansada, quando eu penso nos meus fieis leitores bate logo a vontade de escrever! Mas por hoje e’ so’... Ate’ amanha!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dia 11 - Escolhendo a melhor parte

Habari, Brasil! Como estao voces estao?

Hoje terminei de ler o livro de Josue’. Quantas licoes! Passei o dia refletindo sobre o que esta’ no ‘ultimo capitulo, versiculo 5, quando Josue’ diz que, independente das escolhas do povo, ele e sua casa serviriam ao Senhor. ‘As vezes tendemos a ir com a manada, cair no pensamento de que “a voz do povo e’ a voz de Deus”. E’ dificil escolher remar contra a mare’ e correr o risco de ser apontado pelos outros por ser diferente.

Mas quando nossa conviccao e’ firme sobre quem Deus e’ e o que Ele espera de nos, o caminho parece clarear e, mesmo que o resto do mundo esteja olhando para outros objetivos, conseguimos manter o foco na missao. Sinceramente, amo meu curso na universidade e fico feliz de poder trabalhar em coisas das quais gosto. Mas ainda que tudo isso seja maravilhoso e gratificante, nao e’ o que me faz plenamente realizada. Sou completamente feliz quando estou em missoes.

Nao sei o que meus amigos vao escolher, ou o que vao pensar da minha escolha. Mas eu ja’ decidi que quero ocupar o lugar que Deus reservou pra mim, seja Ele onde for. E e’ muito bom poder ver isso nao como um fardo, mas como uma honra!

Bom, de manha, adivinhem o que fiz... Cartoes, novamente! E ‘a tarde ajudei na cozinha. Gosto muito de deixar a criatividade solta fazendo cartoes, mas a verdade e’ que fico muito sozinha nessa atividade. Na cozinha sempre tem bastante conversa, entao e’ muito mais legal!

Aqui nao temos fogao nem gas. E’ tudo na base da lenha. E as panelas ficam presas em buracos no chao, e alcancam mais ou menos a altura do joelho. Hoje o pessoal comeu um guizado meio Brasil, meio Zambia, ja’ que Mulenga e eu cozinhamos juntas... Ate’ que ficou bom!




E por hoje e’ so’. Tenho aprendido muitas palavras e expressoes em Kiswahili. Acho essa lingua simplesmente linda, e o pessoal da base tem tido bastante paciencia em me ensinar. Entao, ja’ que e’ hora de dormir, “Lala salama” pra mim!

Tuta onana kesho! (Ate’ amanha)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dia 8 - Malhando o biceps

Chegou meu primeiro fim de semana na base! Acordei 'as 9h sabendo que eu tinha uma dura missao pela frente: lavar roupa sem tanque e sem maquina de lavar. Eu adiei o maximo que pude, mas esse trabalho nao podia esperar nem mais um dia.

Acho que, por aqui, 'as pessoas tem a impressao que eu sou meio fraquinha, entao estao sempre oferecendo ajuda, me lembrando de ir pra sombra e tomar 'agua. E hoje nao foi diferente. Recebi varias manifestacoes de "solidariedade" em relacao 'a essa nova experiencia.Vez em quando passava alguem me elogiando, dizendo que eu estava indo bem, ou perguntando se eu queria ajuda.

Apesar de toda a mobilizacao, resolvi que faria sozinha. Separei tres baldes: um para lavar com sabao e outros dois para enxague. Sentei no chao sem pudor e em 2 horas fiz a melhor malhacao de toda a minha vida.

Na verdade, nem era tanta roupa assim. A Mulenga, por exemplo, lavou quase o dobro do que eu lavei em menos tempo ainda. Mas a experiencia valeu. Enquanto estava la', torrando no sol, fiquei grata pelo santo que inventou a maquina de lavar. O aniversario dele deveria ser feriado internacional!!!

Agora estou mais bronzeada, mais forte e com mais uma experiencia na bagagem. E' possivel sobreviver lavando roupa no balde! E nao so' isso... Quando a gente esta' feliz onde esta', nao existe situacao ruim. Tudo e' aprendizado e crescimento. E e' assim que tenho me sentido.

E la' vao as fotos...





Depois de passar a tarde com Mulenga em Machakos, cidadezinha a uns 40 minutos daqui, tive uma noite bem agradavel. Fui jantar na casa da Celia, a brasileira que mora aqui. Ela desenvolve um trabalho maravilhoso com criancas, e em outra oportunidade eu com certeza farei um post sobre isso... Foi bom falar portugues um pouquinho, conversar sobre coisas comuns a brasileiros e, claro, jantar com um tempero mais que especial!

Quero agradecer de coracao a quem se mobilizou para ajudar Mulenga. Estou doida pra correr pro quarto e contar que, do outro lado do oceano, tem gente sonhando junto com ela! Como dizemos por aqui em Kiswahili, "Asante, sana" - Muito obrigada mesmo!!!

Por hoje e' so'... Foi um dia muito bom, mas cansativo. Alem disso, aqui ja passa das 22h! Amanha o diario de bordo continua... Beijos!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Dia 3 - O maior prato de batata frita de toda a minha vida!

Dormi como uma diva, principalmente por causa da temperatura! Mais ou menos às 18h começa a esfriar, de madrugada fica um geladinho super agradável, e até umas 11 da manhã também é friozinho. Pronto, parou por aí. O calor que faz à tarde não é tão intenso quanto no Rio, por exemplo, mas a intensidade é incrível, parece que você está caminhando lado a lado com o Sol.

Aqui na base, toda segunda-feira tem um encontro de louvor e oração. Gente, que coisa maravilhosa! Algumas músicas foram cantadas em Swahíli (e eu to doida pra aprender!), outras em inglês. Algumas eu até sabia, tinha aprendido na Suíça. Só durou uma hora e meia, mas foi muito bom mesmo! Já to ansiosa pela próxima segunda-feira!

Depois disso, fui ao escritório da base pagar a taxa da minha estada e repassar a doação feita pela minha igreja. Vocês não têm ideia de como o recurso que chegou até aqui vai ajudar essas pessoas! São muitos sonhos, muitas ideias, e quase nenhuma grana. Então, à minha Primeira Igreja Batista de Natal, um obrigada de coração em nome de quem está aqui. Gostaria que vocês tivessem visto os sorrisos que eu vi quando entreguei a oferta!

Terminados os assuntos financeiros, fui à cidadezinha de Machakos, porque precisava ir ao mercado. Estava acompanhada da Jentrix, conhecida comoMamma Phillip. Ela iria ficar comigo até que eu comprasse o que precisava. Mas o que eu não sabia era que, assim como Mamma Phillip iria me acompanhar nas minhas compras, eu também a iria acompanhar nas compras dela! E não foram poucas! Ela cuida da tutoria de 80 crianças que recebem ajuda da base para estudar. Fomos atrás de uniformes e materiais escolares pra cerca de 20 delas hoje.

Já eram mais de 14h, e eu já estava bamba de fome. Não é pra menos, né? Minha última refeição (3 fatias de pão) tinha sido às 7 da manhã. Jentrix estava preocupada comigo, toda hora dizia pra eu ir sentar ou procurar uma sombra. Então, finalmente sugeriu que fôssemos almoçar. Me fiz de desentendida, disse que poderia esperar e tal, mas pra minha salvação ela ignorou minha polidez e me levou a um restaurante muito simples - ao qual meu pai carinhosamente se referiria como "pé inchado".

Mama Phillips pediu o dela, e pra não ter erro, eu joguei um "eu também". Ela tinha pedido suco com "chips". Eu não sabia exatamente que era chips, mas pensei: "Eu estou com a Mamma Phillips, a MAMMA Phillips! Se ela é uma Mamma, deve saber o que está fazendo.". Mas foi aí que eu me enganei. Uns poucos minutos depois, chegou na minha frente o maior prato de batata fritas da minha vida! Gente, sem brincadeira, daria pra alimentar o Shrek, a Fiona, a minha e a sua família! Quando olhei o prato, vieram três palavras à minha mente: "dor de barriga". Na hora aprendi que Mamma Phillips não tem nada a ver com a minha Mamma Midiã.

Mas não parou por aí não... Esse tal "suco" era feito da única fruta que eu evito ao máximo, porque pode me causar enxaqueca... Acertou quem disse "maracujá". Eu acho que, naquele copão, devia ter apenas uns dois ou três dedos de água. Sem brincadeira, eu nunca tomei um suco tão forte na minha vida! Era um gole e uma oração pra não ter dor de cabeça. E funcionou!

Eu não queria ser deselegante, então decidi que, mesmo não aguentando aquele prato de batata frita inteiro, eu iria comer até Jentrix parar. Até porque, numa terra onde as pessoas morrem de fome, eu achava que deixar comida era, no mínimo, uma afronta! Quando ela descansou o garfo, quase soltei um "ufa" de alívio. Com um pouco de chips no meu prato e um estômago se contorcendo com todo aquele óleo, perguntei a ela se tinha problema se eu deixasse aquele resto. Ela respondeu: "De jeito nenhum! Contando que você pague, pode até dar uma mordida e deixar todo o resto que ninguém liga". Aaaah, se eu soubesse disso antes... Mas a besteira já estava feita, e graças a Deus não tive efeitos colaterais (até agora!).

Depois da farra gastronômica, continuamos as compras e consegui levar tudo o que precisava. O passeio pela cidadezinha foi legal. Queria ter levado a câmera pra registrar as cores da feira, as roupas, as crianças... Confesso que fiquei com medo de chamar muita atenção, mas da próxima eu arrisco, porque as imagens valem a pena.

Hoje aprendi o que é se sentir um ET. Em 4 horas andando na rua, eu fui a única pessoa branca que vi. E, volta e meia, encontrava alguém me olhando fixamente, ou fazendo comentários com a pessoa ao seu lado sobre mim. Acho que essa é a primeira vez que eu sou minoria (absoluta), e sei que os olhares e comentários são inevitáveis. Fazer o que, né? Quem mandou nascer branquela?

Já tenho mil coisas pra contar, mas se eu continuar fazendo postagens enormes assim, sei que vou espantar meus leitores... Então, amanhã tem mais!

Só um último comentário: eu acho que vou levar ANOS até querer ver uma batata frita na minha frente de novo!